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A feira de Ponte
02 de Março de 2012
A feira de Ponte
A feira de Ponte
AURORA, Conde d' - A Feira de Ponte. Ponte de Lima: Arquivo de Ponte de Lima, 2012. 197 p. ISBN 978-972-8846-39-8.

 

 

Preço: € 6,00 (inclui o valor da taxa de IVA legal em vigor)
Como encomendar: contacte-nos através do e-mail: arquivo@cm-pontedelima.pt.

 

 

 

Introdução:

Et homines qui de cunctis terris uenerint ad feiram et ad illos malefecerit tam eundo quam redeundo pariat LXa solidos.
Esta sentença lapidar do foral teresino de 1125, que deu alforria a Ponte de Lima, consagra a mais antiga referência a uma feira em Portugal. Criada de novo? Confirmado um antigo costume? Pouco importa. A feira gerou o município e foi a alavanca do seu desenvolvimento.
A localização privilegiada do pequeno burgo junto à única ponte
que vencia o Lima deu origem a uma rede de acessibilidades centrada neste local. Este posicionamento estratégico destinou Ponte de Lima como um "nódulo de trânsito" e propiciou a criação de uma feira com uma imensa área de influência onde regulava o movimento dos géneros.
Crê-se que ao longo dos séculos não tenha havido interrupção de monta na sua realização quinzenal. Como se crê também que o extenso areal extra-muros da vila tem sido desde sempre o seu palco permanente, podendo até o velho pelourinho, em torno do qual ainda hoje se arma, ser uma sobrevivência referencial da medieva "cruz do mercado".
Durante oitocentos anos conservou-se o local, respeitaram-se os direitos e os costumes, mercaram-se os mesmos artigos ­ o gado, a produção agrícola, o pescado, os materiais de consumo e as manufaturas. A tanoaria, a cestaria, a ferraria, a cerâmica, a tecelagem e os curtumes fizeram recurso das mesmas matérias e dos mesmos processos de laboração até muito aquém da revolução industrial e transmitiram-se conhecimentos que remontam pelo menos à ocupação romana. Que diferença substancial faz um brinco "à rainha" de uma arrecada castreja? Ou um vulgar cântaro de Barcelos de uma ânfora
ibero-púnica de engobe vermelho? Ou uma vessadoura minhota de um arado quadrangular suevo? E uma peça de surrobeco tecida há trinta ou quarenta anos na Serra Amarela seria assim tão diferente de um burel de Saragoça que vestia um frade da Idade Média?
Com o desenvolvimento industrial que no nosso país se fez sentir de uma forma generalizada no pós-guerra e com as alterações sociais e económicas que condenaram o mundo rural, os artigos manufaturados com os materiais da região entraram em declínio e a crise da lavoura contribuiu com a escassez de meios. O plástico, as fibras e as ligas leves tudo substituíram. Da velha feira tradicional ficou-nos apenas o gado e alguns produtos agrícolas e mesmo estes em risco de se extinguirem com a brutal imposição das reformas comunitárias. Onde para o bragal de linho? E as maçãs carnoesas? E a vaca cachena?
A clarividência do Conde d'Aurora, um distinto pontelimense profundamente arreigado às velhas tradições da sua terra­pátria, entendeu este drama quando todos os seus pares batiam palmas à renovação. Corriam os anos 50 e fechava-se um ciclo da História sem registo do seu curso. Gritou alto o desespero numa brilhante comunicação* que fez em 1964 no Instituto de Antropologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com a designação Feira de Ponte e que já em 1959 publicara em apêndice à terceira edição do seu magnífico Roteiro da Ribeira-Lima. Mas não ficou por aí. Registou em dezenas de fotografias as mais belas imagens das últimas feiras tradicionais, que com ele morreram em pouco mais de três anos. Ficou porém o testemunho, que se não perdeu.
Fixado o texto e seleciona das as fotografias, a que se juntaram umas tantas mais para alargar a cobertura, decidiu o Arquivo de Ponte de Lima inserir esse trabalho na sua Série Estudos e Documentos. Não tivera o Conde dAurora a lucidez de em tempo oportuno registar a moribunda feira, que já poucos hoje recordam, e ter-se-ia perdido a memória do que foi, na sua autenticidade, durante oitocentos anos, a Feira de Ponte. Possa agora este livro, este álbum, contribuir para reforçar em todos nós o sentimento da autoestima e de nos comprometer na salvaguarda ativa do nosso património comum.
A Feira não morreu, apenas se atualizou.


Feira de Ponte, 7 de fevereiro de 2005.


João Gomes d'Abreu
(Diretor do Arquivo de Ponte de Lima)

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